domingo, 16 de novembro de 2008

O governo da República Democrática do Congo acusa as forças de paz da ONU de não agir para impedir a matança de civis no país

"Pessoas estão sendo massacradas e (as forças de paz da ONU) nada fizeram", disse um porta-voz do presidente Joseph Kabila.
Os combates entre rebeldes congoleses e tropas do governo na região obrigaram milhares de pessoas a deixarem suas casas.
Um porta-voz da ONU na República Democrática do Congo, Madnodje Mounoubai, disse ao Al Jazeera que a organização estava fazendo o possível para ajudar civis, mas que suas forças militares encontram dificuldades para atirar contra rebeldes por causa da proximidade dos civis.
"Você não pode atirar quando há civis na estrada correndo em todas as direções. Se você começa a atirar nessa situação acaba matando um monte de civis", disse ele.

Catástrofe

A situação no país foi descrita como catastrófica.
A ONU tem 17 mil soldados na República Democrática do Congo, o que faz da missão da organização no país a maior do mundo.
Mas apenas algumas centenas desses soldados estão na áreas afetadas pelos recentes episódios de violência.
A ONU investiga relatos de que rebeldes da República Democrática do Congo teriam matado civis na cidade de Kiwanja, no leste do país.
Pelo menos 12 corpos foram encontrados por soldados da ONU e jornalistas na cidade, tomada pelos rebeldes liderados pelo general Laurent Nkunda no início desta semana.
Testemunhas disseram que os homens de Nkunda foram de porta em porta matando os suspeitos de pertencerem à milícia.
Os rebeldes tutsis liderados por Nkunda afirmam que estão lutando para proteger a comunidade tutsi contra os rebeldes hutus, que fugiram para o Congo depois do genocídio em Ruanda em 1994.
Os mais recentes confrontos fizeram com que algumas agências de ajuda humanitária suspendessem operações na região, um dia depois de enviarem os primeiros suprimentos de alimentos ao território controlado pelos rebeldes.

2 comentários:

Anônimo disse...

Como delegada da República Democrática do Congo (RDC) no Comitê ECOSOC - SiONU 2008,

Aplaudindo o muito responsável trabalho do Comitê de Imprensa e agradecendo por esta matéria publicada sobre nosso país,

Também lembrando que o General Laurent Knunda Batware, 41 anos, liderança geradora do atual conflito na RDC, já anunciou em diferentes entrevistas a jornais europeus que, se nosso presidente, Joseph Kabila, não atender ao que o general (antigo aluno de Psicologia) reivindica, "demonstrará que não tem direito de continuar no poder", e, segundo ele, sendo o próprio general uma possibilidade para a presidência do terceiro maior país do continente africano.

Knunda baseia então sua sangrenta liderança a partir de um passado que não deveria se repetir (mas se repete pelas ruas vitimadas do Congo no exato momento em que estou redigindo este texto): no Genocídio de Ruanda, evento ocorrido em 1994 naquele país ao leste, em que ocorreram mortes da minoria Tutsi (que encontrava-se historicamente no poder). Assim, esse é o seu argumento para atuar na República Democrática do Congo, o extermínio atual de milhares de civis congoleses em razão de um passado ocorrido em um outro país.
Ou em razão da vontade política de alvejar a cadeira da presidência da República Democrática do Congo para si próprio.

Nós, da RDC, lembramos o pensamento já exposto por Laurent Knunda, tendo alegado que um Congo democrático sob sua liderança iria assumir, num período de cinco anos, um lugar no Conselho de Segurança da ONU, representando a África.

O Governo da República Democrática do Congo agradeçe pelo espaço cedido, sempre abraçado pela consciência de que conflitos ocorrerão na história da Humanidade, porém, serão sempre maiores a esperança e o êxito de homens de boa vontade.

Anônimo disse...

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ERRATA:
O sobrenome do indivíduo responsável pelo atual conflito concentrado no leste do país é Laurent NKUNDA, e não "knunda".

Delegada da RDC, ECOSOC.